Educação pela poesia: para humanizar o homem
dezembro 16, 2006
No mundo de hoje, com inúmeras guerras sendo travadas por todo canto, com catástrofes ambientais que denunciam o suicídio da espécie, com a arrogância e o consumo como valores supremos, tenho me perguntado se haveria uma saída para o reencontro do homem com o humano. Sair desse labirinto sem ser devorada pelo Minotauro parece tarefa impossível, mas eu acredito em um fio de Ariadne muitíssimo pertinente: a educação pela poesia.
Ainda ontem, após assistir a um espetáculo que discutia a questão do negro no Brasil, em comemoração ao 20 de novembro, conversava com dois amigos sobre ideologias necessárias à vida. E a mais certa para mim neste momento é esta, a de o homem se educar pela e para a poesia. É ela, a poesia, talvez a única a conseguir vencer preconceitos, regimes autoritários, separações por classe e razões sociais empodrecidas. Ela é capaz de fazer renascer o belo das coisas e do próprio homem, a reflexão sobre o estar no mundo, o respeito e o cuidado aos bens naturais, o encontro com o trascendente e o sagrado, em uma visão alargada do todo e para além desse mundo ´concreto´.
O que quero dizer com isso? Que a poesia é de um tempo de ´zumbi´ (espírito) e que o homem é um deus em potencial. Só precisa transgredir, ir além das meras circunstâncias, reconhecer-se superior ao vil metal que corrompe e desumaniza. Pensar em uma pedagogia que trabalhe o homem é, sem dúvida alguma, pensar na vida, na nossa sobrevivência no planeta e quiçá na nossa viagem a outros espaços extraterrestres. É preciso humanizar, enfim. O caminho é a arte, a poesia.
>> Este texto foi publicado originalmente no meu antigo blog e os comentários ficaram por lá… leia